quarta-feira, julho 14, 2010

Onde eu guardei a fé

Queria poder pintar as cores dos meus sentimentos hoje eles estariam laranjas, levemente avermelhados, teriam as cores do sono do sol, daquelas combinações raras que só são vistas uma vez.
Amanheci querendo ser pintor, querendo dar molduras ao meu amanhecer, então resolvi abrir-me, fui até onde guardei a minha fé e lá estava ele, meu amigo pintor, meu amigo rei, tão conhecedor e hábil, tão generoso sol, me oferecendo meu quadro sonhado, minha realidade pintada, tão fiel retratada em seu acordar.

segunda-feira, julho 05, 2010

O homem, por força, distinguia-se das árvores, e tinha de saber a razão de seus frutos, cabendo-lhe escolher os que haveria de dar, além de investigar a quem se destinavam, nem sempre oferecendo-os maduros, e sim podres, e até envenenados.
Stawberryfieldsforever...
Alguma coisa explodiu!
partida em cacos. A partir de então, tudo ficou mais complicado. E mais real.
O monstro de fogo e fumaça roubou minha roupa branca. O ar é sujo e o tempo é outro.
Não tenho nada contra qualquer coisa que soe a uma tentativa, claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, a questão é onde, não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim?
Perdi minha alegria, anoiteci, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?
Não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando, os homens são tão necessariamente loucos e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.
Apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas.
Os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta.
A dor é a única emoção que não usa máscara, então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara, ainda mais no Carnaval.

Texto produzido através de trechos extraídos do livro Morangos Mofados de Caio Fernado Abreu
Imagem: Anibal

terça-feira, junho 22, 2010

O País da Esperança

"Segue, que esse dia passa, sem que se perceba eu quase acho graça. Vejo o seu sorriso me guiar na estrada pela ventania, última pousada.Viajante só...
Segue, que a sua palavra já foi quase ouvida e quem caminhava alcançou o dia se tornou celeste, se perdeu por nuvens, se deitou na areia e adormeceu..."
(Oswaldo Montenegro)
Imagem: Cezar Santos

domingo, junho 20, 2010

Eu e o Pântano

Estou a salvo, cheguei até a margem depois de tanto esforço pra ficar,
Meus remos insistiam naquele pântano gélido, inexpressivo...
era questão de tempo para minhas atividades funcionais dissiparem,
meu erro foi fazer da minha coragem barco a motor, sorte a minha, quando não se conhece a margem o pântano traz uma beleza triste, estática e cômoda,
hoje ele é tão mais belo sem mim.
Estou a salvo, como é bom conhecer cada pedacinho dessa margem, dessa luz...
Abandonei os remos...

Ilustração:Valmir Santos

sábado, junho 19, 2010

“Tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos, nem nos lembrarmos sequer de dizer-nos como nos chamamos, e para quê, para que iriam servir- nos os nomes, nenhum cão reconhece outro cão, ou se lhe dá a conhecer, pelos nomes que lhes foram postos, é pelo cheiro que identifica e se dá a identificar, nós aqui somos como uma outra raça de cães, conhecemo-nos pelo ladrar, pelo falar, o resto, feições, cor dos olhos, da pele, do cabelo, não conta, é como se não existisse, eu ainda vejo, mas até quando.”

Ensaio sobre a cegueira
José Saramago

quinta-feira, abril 01, 2010

“Periga nunca se encontrar...”

Tenho adiado o encontro, o sono tem sido grande aliado
As vezes ensaio algum ato de coragem mas nunca concluo, não sei se por medo ou desesperança, mas também não vai ser agora...
Evito escrever, a escrita me vem cheia de verdade, me podo e o que está na minha alma passa a ser contraditório quando me falta vontade de ser eu.
Dormir agora é terapia, enquanto a escrita exterioriza, o sono abafa, estou “acumulando-me”, tenho medo desse encontro, pode haver muito de mim guardado, e agora é tarde, o sono chegou...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

"Você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

Caio Fernado Abreu

terça-feira, fevereiro 02, 2010

“Enquanto isso a vida vai passando...”

Analiso meu redor e constato uma linha, circuncidando cada umbigo,

Falta paz, falta caridade, e o principal, falta respeito...

“Sobra tanta falta de paciência que me desespero.”

E enquanto isso, as pessoas seguem seus caminhos, suas vidas tão mesquinhas quanto elas próprias.

Por vezes me assusto circuncidando meu próprio umbigo.

Será então uma epidemia de falta de sensibilidade e respeito?

Estamos todos sujeitos a infecção dos maus hábitos?

Analiso diversas coisas que contrapõe aquilo aque acredito, e no que é que eu acredito afinal?

É... e dizem que o que prevalece é a essência.

Estamos sendo roubados:

Roubam nosso dinheiro,

Roubam nossa verdade,

Roubam nosso suor, nossas horas tão preciosas,

Roubam nossa dignidade,

E estão se especializando de uma tal maneira, que estão conseguindo roubar nossa essência.

É, o bicho humano as vezes me assusta...

domingo, janeiro 31, 2010

"Fámilia é um assunto complicado, quem não gosta mora ao lado e o mais velho mora só"

Fernado Anitelli

quinta-feira, dezembro 31, 2009

"De ontem em diante..."

Foi apenas um sonho e confesso que tenho sorte,
fiquei com aquilo que me restou e de tantas dúvidas construi uma certeza de harmonias,
de tons e cheiros suaves...
Foi apenas um sonho e hoje minha caixa de recordações guarda formas, substâncias e molduras,
ao abri-la vejo jantares, cartas com palavras visíveis e apagadas, existem também algumas estrelas, pra ser mais exato apenas 3 delas, um pedaço de mar, um perfume e uma alma chamada luz.
Coisas simples e grandiosas.
Há uma criança que me acompanha como recompensa, parte de minhas recordações.
Há sentidos imprecisos...
a visão...
o olfato...
e a língua que não busca mais o paladar negado.
A cada passo os sonhos parecem mais vivos e a realidade mais morta, ambos se misturam e se equilibram.
Há também um irmão, uma infância desfocada, um futuro interrompido e a mudança de planos.
Grandes guerreiros habitam minha caixa, entre eles duas mulheres responsáveis por minha vida, grandiosas por exelência, minha mãe e minha avó.
Estão nela meus amigos, que são espadas e escudos, e tantas vezes o meu chão.
Confesso que tenho sorte, ultimamente guardo cores, todas elas cuidadosamente espalhadas em minha caixa, colorindo os desenhos e a criação.

segunda-feira, novembro 30, 2009

"Quero voar pra bem longe mais hoje não dá...
Vou concertar a minha asa quebrada e descançar..."

terça-feira, outubro 13, 2009

A Escolha da Razão

"Pra dilatarmos a alma Temos que nos desfazer Pra nos tornarmos imortais A gente tem que aprender a morrer Com tudo aquilo que fomos E tudo aquilo que somos nós"


Um suicídio a cada dia,
Assim a vida segue, coisas acontecem,
Pessoas vivem enquanto eu morro pra existir
Mato-me para crescer e morro sem errar.

Escolha da razão
Deixando de ser vão, pra mais tarde não saber.
Entre sonhos, paradoxos.
Entre medos os próprios sonhos
Hoje é simples, basta apenas acordar.

Tanta luz
Tanta estrada
Tantas voltas e tanta paz
Hoje é simples
E agora, é viagem.
Tudo em volta é real,
Mártires dessa história,
Hipotéticos como nós.

Uma troca tão valente
Medidas tão exatas
E o vencedor então sou eu
Te entrego minha vida
Tenho em troca o que sou

Hoje é simples...
Basta que eu morra
pra mais tarde então viver.

domingo, setembro 20, 2009

"Ter bondade é ter coragem"

Renato Russo

sexta-feira, julho 31, 2009

Resquício

Resquícios

São flashes...
Apenas flashes da nossa história sem sorrisos,
Noite de inércia,
Vazio consequente da dor, agora ausente.
Os flashes fazem lembrar por segundos uma história de amor
As lágrimas se retêm nos olhos,
E o que sangra agora é o coração
Uma estrela cai sem cumprir meu pedido,
E os flashes não param
Aumentando a esperança da dor.
Pontadas dolorosas de uma história inacabada
Apenas pontadas
Sistema ilusório
E a vontade de dormir...

quinta-feira, maio 28, 2009

"E em torno de mim, todos os poentes incógnito douram, morrendo, as paisagens que nunca verei."

Fernando Pessoa.

terça-feira, maio 26, 2009

quarta-feira, maio 06, 2009

sábado, abril 18, 2009

O Embrulho que sou

Essa saudade diária já não me faz infeliz, mas me mata a cada dia, não se da uma morte física, mas uma morte interna, gradual e lenta. Sinto indo embora minha personalidade de boca tapada e voz abafada, morro e não sinto, ou sinto e não percebo. Penso que exijo da vida mais do que ela é capaz de oferecer-me, ou eu capaz de viver, imagino sonhos sem processar que eles são incompatíveis com a realidade, e me pergunto: O que é mais cruel, o sonho ou a realidade?
Mais uma nas inúmeras perguntas sem respostas, ou mais uma pergunta respondida com duas verdades , verdade tão cruel quanto a pergunta, a qual me nego conhecer, e penso que talvez, a dúvida seja a melhor das respostas.
Saudade que me acompanha vazia, que chora seco as lágrimas que já não caem, saudade que traz a verdade embrulhada em um lindo papel de presente...
Momentos transitórios da alma, ou da morte da alma, onde hoje eu não ouso “abrir-me”.

quarta-feira, janeiro 14, 2009